Hariharananda Tapovanam (Himalayas)
10 de dezembro de 2004
Amadas almas,
Tive um sonho alguns dias atrás. Não era profético ou nada que fosse uma revelação de destruição global –mais do tipo como um gentil sussurro na câmara do meu coração.
Na encosta de uma montanha escarpada, desolada e batida pelo vento jazia u’a mulher nas dores cruéis da morte, enquanto simultaneamente dava à luz uma menina. A jovem mulher morreu, deixando a recém nascida no chão –uma pequena, pálida e débil centelha de vida lutando para se manter viva neste mundo frio e cruel. A poucos passos dali, um homem estava ajoelhado com seus braços abertos em direção a um céu vazio e obscuro, gritando repetidamente “Deus, salve a criança, salve a criança oh Deus!”
Nesse momento o céu se suavizou, e a luminosa Presença brilhou de horizonte a horizonte: “Salve a MINHA criança, e a criança salvará você”, sussurrou o vento nos ouvidos do jovem prostrado.
De repente, acordei sobressaltado na minha pequena e gelada cabana no Himalaya, com lágrimas correndo pela minha face enquanto continuava sussurrando sem parar: “Deus, salve a criança, salve a criança...”. Sentei-me na cama, joguei o cobertor sobre meus ombros, e meditei por uma hora, deixando que a vívida impressão daquele sonho vagarosamente se depositasse no mais íntimo de meu ser.
O simbolismo era claro para mim, uma vez que personificava o espírito da “Arca do Amor”. Invista algum tempo com as crianças pobres e abandonadas pela sociedade, e você rapidamente se dará conta de que esta é uma oportunidade preciosa que nos é dada pelo Pai Todo Poderoso. Salvando Suas crianças do desleixo e da desesperança, seremos por elas mesmas salvos dos demônios do egoísmo, da arrogância, e do esquecimento de Deus. Nós não conseguimos nos absorver pela nossa “auto-criada” miséria enquanto estivermos repartindo um sorriso, um abraço, uma música ou uma estória com um pequenino.
Obrigado, Deus, pelas crianças. E obrigado por seus pecadores também!
Humildemente,
Swami Sarveshwarananda
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