Miami, 10 de Março, 2001
Meus Divinos Marinheiros da Arca do Amor,
Que nossos corações permaneçam unidos
Que oremos unidos
Que nossas mentes permaneçam unidas
Que oremos pelo mesmo propósito
Que nossos corações se harmonizem
Que avaliemos igualmente todas as coisas
Que tudo seja abençoado
-Hino Védico
Saudações e Alegria a todos vocês.
Estou feliz em escrever a vocês, sabendo que se reuniram para cuidar do nosso bebê “Arca do Amor” com carinho, amor e alegria. Possamos sempre trabalhar juntos com humildade e abnegação. Desse modo, sempre sentiremos que Deus e os Gurus estarão fazendo Seu divino trabalho através de todos nós, e não através de alguém em particular.
Está é nossa Kriya na prática: em cada kri (trabalho, atividade, ação), sentir que existe um ya (Deus, a força da alma) que é o único e real executor.
Por favor, mantenham sempre uma atitude realmente espiritual em todas as reuniões e trabalhos, respeitando a opinião de cada um como uma verdadeira manifestação do Divino. O alcance de nosso serviço é imenso, e só pode ser alcançado se todos permanecerem pequenos dentro de si mesmos (isto é, livres do ego).
De minha parte, estou apenas semi-recluso aqui em Miami, uma vez que Baba quer que eu continue a trabalhar com os livros, a Arca do Amor e vários outros projetos... aqui do meu quarto. Desse modo, estaremos ainda em contato próximo e poderemos continuar guiando o desenvolvimento da "Arca do Amor", se Deus permitir. De tempos em tempos escreverei com algumas sugestões, orações, jogos, poemas, canções e estórias. Tentarei gravar um CD de mantras e orações Sânscritas, e enviarei a vocês com as letras e traduções, de modo que possam praticá-las juntos e depois ensinar algumas delas às crianças.
Aqui vai a primeira estória de hoje. Sentem-se calmamente, concentrem-se na fontanela e apreciem.
É sobre como ensinar as crianças a controlar a raiva:
Mãe Mirra, também conhecida como Doce Mãe do Ashram de Aurobindo, cresceu na França, onde teve várias experiências místicas. Mais tarde veio a conhecer Sri Aurobindo, e juntos guiaram incontáveis almas à Suprema Verdade.
Em seus dias de juventude, ela morou numa pequena cidade ao norte da França. Um de seus vizinhos era um menino tempestuoso e afligido por seu mau temperamento, sempre se envolvendo em brigas na escola. Doce Mãe sentou-se com ele um dia e perguntou-lhe:
“ O que você acha que é mais difícil para um menino valente como você: Atirar seus punhos contra a face e um amigo que insultou você, ou nesse momento guardar seus punhos nos bolsos?”
O jovem menino respondeu: “Manter meus punhos nos bolsos, claro!”
Mãe continuou:
“E o que você julga ser mais valioso para um menino corajoso como você: fazer a coisa mais fácil ou a mais difícil?”
O menino ficou quieto por um momento. Finalmente respondeu de uma forma quase relutante: “A mais difícil, eu acho”.
E a Doce Mãe concluiu com naturalidade:
“Bem, então quem sabe você possa tentar fazer isso da próxima vez que tiver oportunidade”.
Algum tempo depois o menino apareceu, todo excitado, para dizer a ela que tinha sido capaz de fazer “a coisa mais difícil”. Ele explicou que um de seus colegas de classe o havia provocado num momento de raiva. Como o colega de classe sabia que ele sempre aproveitava qualquer oportunidade para brigar, rapidamente deu um passo atrás e se preparou para a defesa. “ Mas aí eu lembrei do que a senhora tinha me dito, disse o menino, “ e eu me concentrei em deixar minhas mãos dentro dos bolsos e segurar meus punhos. Eu tenho que dizer à senhora: foi muito mais difícil do que eu pensava! Mas assim que consegui, senti minha raiva indo embora. Só senti pena do meu colega. Então tirei minha mão do bolso e a estendi para ele. A senhora devia ter visto a cara dele! Ele ficou ali, parado um tempão, com a boca aberta sem dizer nada...Finalmente ele me deu um aperto de mão vigoroso e disse emocionado, “Agora você e eu somos amigos para sempre. Pode me pedir qualquer coisa”.
O menino havia aprendido como controlar sua raiva.
Como a Doce Mãe o havia ajudado?
Não lhe dando um sermão ou uma lição de moral, nem o envergonhando ou punindo. Simplesmente apelando para a natureza mais nobre do menino e para sua coragem e seu senso de justiça.
Lembrem-se disto: só o respeito e o amor farão com que as pessoas mudem, automaticamente. Acreditem sempre no seu melhor potencial, ao invés de enxergar apenas suas faltas.
Obrigado.
Deus abençoe a todos vocês. Nós sempre somos Um só, Nele.
Om shantih shantih shantih
Humildemente,
Swami Sarveshwarananda
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